terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O que diz Sócrates...Em ano de eleições (em entrevista à SIC a 05/01/2009)

Uma das coisas que muito me interessa, posso dizer mesmo que está no top 10 das coisas que mais me interessam, é a política porque dela depende o meu futuro. Por isso não posso deixar passar em branco a entrevista feita a José Sócrates por Ricardo Costa e José Gomes Ferreira, transmitida pela SIC.



  • A primeira entrevista de 2009 ao Primeiro Ministro português começou, como era esperado, pela polémica questão do estatuto dos Açores.
A quezília mais famosa dos últimos tempos, em momentos tão delicados como os que vivemos a vários níveis, principalmente económico-financeiro e geopolítico, faz-se questionar se: Valerá a pena tanto barulho por uma querela? Que, muito possivelmente, no final das contas não dará em nada...
Não serão os procedentes que esta quezília levanta mais graves que a própria questão em si?


  • Seguem-se os Investimentos/Obras Públicas, que me pareceu a parte menos esclarecedora de toda a entrevista.
Quando confrontado com os famosos projectos, que requerem grande investimento público, TGV, novo aeroporto de Lisboa e a 3ª travessia sobre o Tejo, José Sócrates responde que as auto-estradas, que têm construção prevista, são essenciais para o desenvolvimento do interior. O que é inegável, mas ficamos sem esclarecimentos sobre as questões colocadas. Aqui nada de novo...
Mas podemos estar tranquilos porque todos os investimentos previstos são "lucrativos", lucros garantidos pelos estudos feitos pela Universidade de Coimbra, instituição de inquestionável fiabilidade, mas se os estudos fossem uma base sólida para os investimentos não estaríamos a passar por esta situação economicamente tão frágil. Resta-nos esperar que os lideres políticos recorram a videntes, porque a fé nas previsões dos economista já era...
  • A estas afirmações tinha de seguir-se a incontornável Crise da Banca, claramente mais acentuada na banca privada.
1 000 000 000€ foi o que a Caixa Geral de Depósitos despendeu nas "intervenções" em outros bancos, para defender os depósitos dos portugueses dos gestores privados. E os gestores desses bancos ficam como? A sua responsabilização é feita, ou nem por isso?
Temos o BPN nacionalizado, com o dinheiro de todos nós, mas se me perguntassem se eu quero um banco eu dizia que NÃO, prefiro que baixem as propinas (garantindo assim uma igualdade de acesso ao ensino, como vem na Constituição) e façam os (ir)responsáveis responderem pelos seus erros.
No que concerne à salvação das empresas estabelecidas em território nacional a acção do governo parece-me plenamente justificada nesta entrevista. Através da salvação dos postos de trabalho, e por isso pessoas, e importações (importantes para o equilíbrio financeiro) garantidos por empresas "saudáveis e competitivas".

  • Last but not least temos o estado da Educação em Portugal.
O nosso chefe de estado salta em defesa da sua Ministra da Educação notabilizando o esforço, inegável, feito pela partes de onde resultou o Simplex da Avaliação dos Professores. Assim como é inegável que sem este governo não haveria avaliação dos professores que pode, de facto, contribuir para melhorar a forma como a sociedade vê a classe docente, mas este finca-pé governamental, que está a fazer dos professores os maus da fita, será alguma vez reversível?
Este Governo foi dos que mais mudou o Ensino em Portugal com ele vieram:
-As aulas de substituição, uma estratégia falhada para ocupar os alunos, que pouco mais é que impedi-los de sair da sala de aula quando um professor falta;
-As, tão publicitadas, Novas Oportunidades que assumem proporções industriais na distribuição de diplomas. O que nos permite estar, estatisticamente, ao nível do melhor da UE em cerca de 3 anos, que é pouco mais que o necessário para concluir o Ensino Secundário.

Lamentável é que este Governo, tão visionário, não veja que a Educação é mais do que números são pessoas, é o futuro do país que cheio de diplomas continua a ser vazio de competências..

  • O Gran Finale vem com o pedido de maioria absoluta para as próximas eleições legislativas, o que é um cenário bastante provável, não por mérito do governo mas, principalmente, por falta de alternativa na oposição. Será assim José Sócrates como Primeiro Ministro por mais 4 anos um mal menor?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Rever 2008..O PIOR

O Pior de 2008..AS URGÊNCIAS



Sei que 2008 já acabou, e pensei mesmo escrever só do que foi bom, mas neste 2º dia de 2009 tenho de falar do que pior me aconteceu em 2008...
Foi-me guardado para o penúltimo dia de 2008 o meu primeiro contacto com os Serviços de Urgência (SU) portugueses, fiquei horrorizada com o que lá se passa.
Fui acompanhar uma pessoa, muito querida aos SU do Centro Hospitalar do Alto Minho (Viana do Castelo), note-se que até lá fiz o que recomendam, primeiro fomos ao Centro de Saúde de onde saí com uma carta para o SU e aí começou o caos...
Logo à chegada confrontei-me com uma arrogância sem limites das recepcionistas, que por estarem atrás de um vidro acham-se seres possuidores de uma inteligência superior, capazes de tratar pessoas debilitadas com desprezo notável e arrogância desmedida. Após esta recepção segui-se o famoso, e claramente ineficaz, sistema de triagem Manchester, onde a carta que trazíamos não foi sequer aberta, resultado a pessoa que acompanhava que tinha tensões altíssimas e um possível diagnóstico de AVC tem prioridade média, porque a Sr Ministra Ana Jorge só se preocupou em preparar os SU para o flagelo da gripe.
Porquê campanhas para travar a mortalidade e prevenir sequelas do AVC se as coisas não funcionam?
A segurança dos SU foi também testada durante a minha estadia, porque mais de 6 horas já é estadia, e verifiquei que para todo o SU tem UM segurança. O resultado foi ver o serviço invadido por um individuo que esvoaçou com tudo (portas, macas, aparelhos...) e instalou o caos, do qual resultou a perda de várias fichas, inclusive da pessoa que acompanhava (pelo menos foi esta a justificação para a demora de 6 horas no atendimento), que só aconteceu porque desesperei, com o medo de sequelas, e exigi explicações para o que estava a acontecer.

A cronologia dos acontecimentos foi:
17h38 (30/12) entrada no SU
00h32 (31/12) início dos testes para o diagnóstico
01h38 (31/12) diagnóstico feito.

Num momento em que o governo se preocupa em salvar bancos, para não prejudicar as grandes fortunas, deixa os contribuintes sedentos de cuidados médicos atirados para bancos de uma sala de espera (quando os há vagos) durante mais de 6 horas. Tudo isto é um claro incentivo ao recurso aos privados...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Rever 2008

E o melhor de 2008 foi… A MÚSICA.

2008 foi um ano fértil como poucos, imensos festivais (alguns de notável qualidade), concertos inesquecíveis, revelações assinaláveis e grandes regressos.


  • Começo pelo REGRESSO, sem dúvida Portishead foi o regresso do ano, com um som sempre inovador e uma Beth Gibbons notável.

Third é o álbum que marca o seu regresso, um álbum que divide opiniões: os saudosos do Dummy acham-no uma desilusão, outros acham-no magistral a prova de que eles são de facto inovadores e geniais. Eu incluo-me nos segundos, considero-o mesmo o “meu” álbum do ano.

  • As aparições foram incontáveis, mas as REVELAÇÕES são numeráveis.

Em Portugal destacam-se:

Deolinda, com Ana Bacalhau à cabeça, reinventaram o fado. Tiram-lhe o xaile negro e vestem-lhe um lenço colorido, mostraram aos portugueses que o fado pode ser divertido, quase dançável, mantendo sempre a sua identidade. Um trabalho admirável.

Os Pontos Negros, surgem com um Magnifico Material sem nada de inútil. Aparecem como num conto de fadas e mudam o pop/rock português, claramente para melhor…

Rita Redshoes, a Dorothy que faltava a Portugal. Havia ainda lugar no nosso panorama musical para esta menina de ar delicodoce, com voz melodiosa e com música muito boa.

Nota positiva ainda para: Projecto Fuga, Peixe:Avião, Moulinex.

Além fronteiras:

Hercules and Love Affair, som muito cosmopolita. Este grupo surge combinando algumas coisas boas que se faziam na música há já algum tempo (Anthony & The Jonhnsons e CocoRosie), desta combinação surge um álbum fantástico com uma sonoridade contagiante. Ao vivo parece faltar-lhes experiência, pelo menos juntos.

Glass Candy, som erótico. Mesmo não sendo o seu primeiro trabalho são para mim uma das revelações do ano, ouvi pela primeira vez nos Bons Rapazes (óptimo programa, na antena3, para quem gosta de musica nova) e fiquei fã. Misturam estilos adormecidos, como o disco, com batidas contagiantes e dançáveis, e a voz de Ida No resulta maravilhosamente. Mistura perfeita…

Santogold, lufada de alegria. Música bem disposta, bem feita e extremamente alegre é assim que vejo o primeiro trabalho de Santi White, LES Artistes faz, sem dúvida, parte da banda sonora de 2008. Mas o Santogold é bem mais que esse single, é um álbum cheio de boa música com um som festivo, algo semelhante a M.I.A., mas com uma identidade muito própria facilmente reconhecida em qualquer dista de dança.

Nota positiva ainda para: MGMT, Vampire Weeken , Adele.

  • Dos inúmeros os FESTIVAIS que por cá tivemos fui a alguns, não a todos porque o verão foi curto e alguns deles coincidiram.
Devo destacar o péssimo gosto de marcarem o Anti-Pop Music Festival (em Viana do Castelo) e o Festival Heineken Paredes de Coura no mesmo fim-de-semana, dois dos poucos eventos feitos para estes lados nos mesmos dias, será assim tão difícil evitar estas gafes?

Mesmo assim fui ao SBSR (Porto), Optimus Alive, Delta Tejo, Anti-Pop Music Festival, Sudoeste e Sagres Surf Fest. Destes confesso que os de maior qualidade foram Optimus Alive, Sudoeste e Anti-Pop Music Festival.

O Optimus Alive um festival com grande ambiente, mas pouco espírito “festivaleiro”. Um cartaz invejável, de onde destaco o palco Metro por onde, no dia 10 de Julho, passaram alguns dos nomes do ano (MGMT, Vampire Weekend, Hercules and Love Affair) e a enorme Peaches, que fez esquecer a falta dos CSS…

O Anti-Pop Music Festival é o melhor festival para que gosta de um ambiente alternativo e música “anti-pop”, apesar de achar que os sets ficaram aquém do que foi ouvido em anos anteriores. Mesmo assim altamente recomendável.

O Sudoeste valeu pelo cartaz, dando-me o prazer inesquecível de ver e ouvir o grande espectáculo de Björk ao vivo, memorável. Digna de menção foi também a explosão dos The Chemical Brothers. Gostei muito das praias e pouco do ambiente/pessoas.

  • 2008 foi também um ano fértil em CONCERTOS, bons concertos.
Mas a magia deu-se a 26 de Março no Coliseu do Porto, quando assisti ao regresso dos Portishead. Nunca tinha visto um concerto da banda (até porque os meus 13 anos da época não o permitiriam) mas todas as minhas expectativas foram superadas.

Foram muitas as críticas, acharam principalmente que não havia à-vontade da Beth Gibbons, mas discordo completamente. O ambiente místico vivido por quem assistiu não deixa dúvidas de que foi um momento único, foi o concerto a que assisti até hoje em que o respeito pelo artista era tal que o Coliseu podia ser confundido com uma qualquer igreja. Assistir a este concerto foi uma honra e um momento inesquecível…

Uma pequeníssima amostra


  • Ainda alguns destaques:

- Chegou este ano a consagração nacional e internacional de David Fonseca, de quem gosto bastante tanto ao vivo como em CD (que data de 2007), parece que o reconhecimento merecido está a chegar.

- Rodrigo Leão que lança no final de 2007 o seu “Portugal, Retrato Social” que é o espelho da genialidade de um grande compositor, um português pouco reconhecido por cá. Proporcionando a quem ouve as suas composição e assiste aos seus concertos momentos mágico.

- Buraka Som Sistema deram-nos um bom presente de final de ano, o seu Black Diamond vem confirmar o que já se suspeitava eles são um dos maiores valores musicais portugueses, também reconhecidos no resto do mundo, do momento.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O inicio!

Passo explicar porque decidi fazer o meu blogue:
1. Penso muito, não quer dizer que pense bem;
2.Tenho opiniões, que gosto de discutir;
3.Estava farta de aturar o Pedro...

Hesitei muito, porque não sou brilhante a escrever, por isso desde já as minhas desculpas..

Ass:Minokas